Dra. Mariana Tanaka

Nefrologia Pediátrica – Revista Saúde News

Atenção especial aos cuidados renais na infância

A nefrologia e a urologia pediátrica são especialidades complementares na sua atuação. Todas as patologias que potencialmente podem comprometer o funcionamento dos rins das crianças necessitam de condução do nefrologista infantil e do uropediatra. Podemos dizer de maneira figurativa, para melhor entendimento, que o nefrologista é o clínico dos rins enquanto o urologista é o cirurgião. A atuação em equipe destes dois profissionais resulta sempre em melhores resultados. Contudo, as especialidades são relativamente novas e com poucos médicos habilitados em todo o Brasil. Essa carência é identificada tanto no sistema público, quanto no privado e, por isso, o diagnóstico tardio é frequente trazendo graves consequências para as crianças. Cascavel é um polo de saúde, mas também apresentava essa demanda. Quem chegou para mudar esse paradigma da região oeste paranaense são os jovens médicos Dr. Alex e Dra. Mariana Tanaka. Unidos pelo amor e pelos mesmos objetivos profissionais, o casal representa mais uma importante conquista para a medicina local. As crianças que necessitavam de tratamento renal especializado precisavam se deslocar até Curitiba, ou grandes centros, para receber atendimento. A nefrologista infantil Mariana e o uropediatra Alex aceitaram os desafios e mudaram essa realidade, ambos são especialistas de alta qualificação e estão prestando atendimento aos bebês, crianças e adolescentes com doença renal congênita e adquirida, desde 2015. Juntos, também estão trabalhando para implantar em Cascavel o terceiro serviço de transplante renal pediátrico no Paraná. Confira reportagem e entrevista exclusiva com esses profissionais.

“Tratar de crianças é saber lidar com a angústia dos pais, mas os pequenos são sempre muito corajosos e cheios de esperança!”

Dra. Mariana Tanaka chega a Cascavel como primeira especialista no ramo e alerta os pais sobre principais sinais de problemas renais infantis

Sendo uma das especialidades médicas com poucos profissionais em todo o país, Cascavel conta agora com uma especialista em Nefrologia Pediátrica. A doutora Mariana Araújo Barbosa Tanaka, 33 anos, passou a atuar na cidade como integrante do corpo clínico da RenalClin – Clínica do Rim, focando a sua atenção para os cuidados com os rins e trato urinário de crianças e adolescentes.
A Nefropediatra nasceu em Fortaleza, no Ceará e graduou-se em Medicina pela Faculdade de Medicina de Juazeiro do Norte – CE. Realizou residência em Pediatria no Hospital Infantil Albert Sabin, também no Ceará. Com o interesse pela Nefrologia Pediátrica, formou-se pela Universidade Federal de São Paulo – Unifesp/Escola Paulista de Medicina. A médica contempla ainda em seu currículo, a titulação de mestre em Pediatria pela Universidade Federal de São Paulo – Unifesp, onde defendeu a tese “Marcadores urinários em crianças e adolescente com refluxo vesicoureteral”. O estudo avaliou os níveis urinários de biomarcadores não invasivos de lesão renal em crianças e adolescentes com refluxo vesicoureteral (RVU). Apresenta ainda outros trabalhos desenvolvidos nessa área de estudo, dentre eles publicação de capítulos em livros científicos.
As malformações do trato urinário são responsáveis por 31% de crianças que evoluíram para terapia de substituição renal (Diálise ou transplante) nos Estados Unidos. O Refluxo vesicoureteral, fluxo retrógrado de urina da bexiga para ureteres e rins, é uma das malformações do trato urinário mais comum na infância, presente em 0,4 a 1,8% dos recém-nascidos normais e 20 a 60% das crianças que apresentam infecção do trato urinário, podendo evoluir com cicatrizes renais, hipertensão arterial e doença renal crônica. A identificação de crianças com RVU em idades precoce oferece a oportunidade de prevenir episódios de infecção urinária e possível formação de cicatrizes modificando seu prognóstico, explica Dra. Mariana.

SINAIS DE ALERTA
Pais devem estar atentos aos sinais e sintomas

Algumas doenças renais podem resultar de fatores hereditários, que estão relacionados com o histórico familiar ou com a carga genética. Problemas renais podem surgir quando a criança ainda está em desenvolvimento no útero. Depois que a criança nasce os sinais da doença renal pode variar. Algumas podem ser assintomáticas por meses ou mesmo anos ou apresentar infecção do trato urinário, dor abdominal, hipertensão arterial entre outros sintomas.
Muitas vezes, os sintomas aparecem relacionados a outras patologias, que acabam não sendo identificadas e podem evoluir para problemas mais graves. A ocorrência da infecção urinária, por exemplo, pode ser um sinal de alerta para outros tipos de problemas. “Em crianças menores de dois anos, principalmente, não espere ocorrer um segundo caso de infecção. Estudos mostram que cicatrizes renais podem ocorrer em crianças a partir da primeira infecção urinária em 15% dos casos e, às vezes, podemos identificar de forma precoce uma malformação renal”, explica a Dra. Mariana.
Dentre as malformações congênitas destacam-se a hidronefrose (dilatação renal), obstrução da junção pielouretereal (definida pela dificuldade de transporte de urina do rim para ureter por uma obstrução), refluxo vesicoureteral, válvula de uretra posterior (membranazinha na uretra posterior). A doutora enfatiza também, que os pais devem estar atentos às idas da criança ao banheiro, para notar qualquer sinal de problema no enchimento e/ou esvaziamento da bexiga chamado de disfunção miccional, condição que aumenta o risco de desenvolver infecção urinária.
O controle miccional não nasce pronto, depende de um processo de maturação neurológica. Várias idas ao banheiro, urgência para urinar, não conseguir segurar o xixi, não perceber e acabar deixando vazar xixi na roupa deve ser observado. Crianças maiores de sete anos, que fazem xixi na cama à noite também requer atenção, alerta a doutora.
Lactentes com baixo ganho de peso e estatura, com episódios recorrentes de vômitos com desidratação e distúrbios metabólicos grave devem ser investigadas para Tubulopatias, desordens relacionadas às funções do túbulo renal de reabsorção, secreção e excreção de água, eletrólitos e outros compostos. Crianças que apresentam sintomas urinários como urina escura, diminuição do volume urinário, urina espumosa por perda de proteína ou inchaço em face, membros inferiores ou todo o corpo, podem apresentar glomerulopatias, que em geral, são conhecidas com glomerulonefrites. Essas doenças acometem os glomérulos, estruturas constituídas por um tufo de capilares sanguíneos, responsáveis pela filtração do sangue (plasma). É importante diagnosticar e determinar o tipo de glomerulopatia para fazer o tratamento adequado. Em algumas situações, o nefrologista necessita de biópsia renal para determinar com precisão a glomerulopatia.
O estilo de vida moderno, com hábitos alimentares inadequados e sedentarismo, acrescidos de anormalidades congênitas e alterações metabólicas urinárias contribuíram para o aumento mundial de cinco vezes na incidência de cálculos renais na infância durante a última década. Uma vez identificado cálculo renal (pedra) na criança, uma investigação e terapêutica adequada deve ser instituída, afirma a Dra. Mariana.
É importante lembrar as nefropatias associadas a patologias sistêmicas como: Lúpus eritematoso sistêmico, púrpura de Henoch-Schonlein, anemia falciforme, tuberculose renal, nefropatia diabética e outras.

Doenças renais na Infância

As doenças renais na infância correspondem a um grupo de patologias caracterizadas por apresentar alterações nos rins e no trato urinário, podendo ser congênita ou adquirida, primária ou secundária, anatômica ou funcional. Sua incidência e prevalência na faixa etária pediátrica variam de acordo com o tipo de doença renal, condições étnicas e socioeconômicas, sendo difícil serem estabelecidas com rigor.
Este grupo de patologias outrora identificado tardiamente pode ter seu curso evolutivo modificado através do reconhecimento precoce de sinais e sintomas que alertam para o diagnóstico clínico e laboratorial.
O conhecimento da fisiopatologia, incidência, evolução e prognóstico das doenças renais na infância tem modificado a perspectiva de vida dos pacientes pediátricos. Nos casos em que nenhuma intervenção tenha sido tomada ou naqueles casos em que esta ocorreu de forma tardia, o desfecho pode ser a necessidade de terapia de substituição renal (tratamento dialítico ou transplante renal).

Nefrologia pediátrica no Brasil

O tratamento das patologias que atingem a saúde renal das crianças ainda é limitado no Brasil. São poucos médicos especialistas, enfermeiros, técnicos, além de espaços próprios para o atendimento nefropediátrico.
Segundo o censo da Sociedade Brasileira de Nefrologia de 2013, existem 703 unidades renais cadastradas no Brasil. A prevalência estimada de diálise no Brasil é de 104.577 pacientes, sendo em média 1283 casos de crianças e adolescentes. De acordo com o Registro Brasileiro de Transplante, organizado pela Associação Brasileira de Transplante de Órgãos, somente 308 crianças receberam transplante em 2013. “Essa realidade ocorre pela falta de nefrologistas pediátricos e profissionais especializados na área, acompanhada de falta de estrutura adequada para tratamentos renais em crianças. Infelizmente, esse problema atinge algumas regiões do país”, afirma a médica.
“O atendimento especializado para crianças e adolescentes visa garantir um crescimento e desenvolvimento adequado, melhorando sua qualidade de vida”, ressalta Dra. Mariana.

Principais doenças renais
• Glomerulopatias
• Nefropatias associadas a patologias sistêmicas
• Infecção do Trato Urinário
• Malformações do trato urinário
• Disfunções miccionais
• Hipertensão arterial
• Doenças císticas renais
• Nefropatias congênitas
• Nefrolitíase
• Tubulopatias
• Insuficiência Renal Aguda e Crônica

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