Dra. Mariana Tanaka

Urologia Pediátrica – Revista Saúde News

Dr. Alex Tanaka revela que Cascavel será uma referência em transplante renal infantil

Alex Sato Tanaka, 34 anos, formou-se em medicina na Universidade Estadual de Londrina (UEL). Em São Paulo especializou-se no Hospital Santa Marcelina, sendo que foram dois anos de Cirurgia Geral e mais três anos de residência em Urologia. Em seguida escolheu a uropediatria, uma subespecialidade que cursou por um ano e meio na Universidade de São Paulo – Hospital das Clínicas. Aperfeiçoou seus conhecimentos com as particularidades do transplante renal pediátrico por mais seis meses no Hospital Samaritano (maior centro de transplante renal pediátrico da América Latina). O jovem médico tem espírito empreendedor, valoriza a família e encontrou nas crianças a motivação para seu trabalho. Doutor Alex é filho do renomado urologista Dr. Milton Tatsuo Tanaka, responsável pelo departamento de laparoscopia da Master Clínica, chefe do serviço de transplante renal do Hospital Nossa Senhora Salete e professor da disciplina de Urologia no Curso de Medicina da Faculdade Assis Gurgacz. Seu pai é seu maior motivador, mas para iniciar essa carreira foram necessários méritos próprios, muita determinação, até agora 13 anos de estudo e a busca constante pelo conhecimento. Retornou para Cascavel para compor o corpo clínico da Master Clínica e introduzir essa nova subespecialidade na região. Junto com a esposa, Dra. Mariana Araújo Barbosa Tanaka, tentarão construir um serviço forte de nefrologia e urologia pediátrico e trabalharão para instituir o 3º serviço de transplante renal pediátrico no Paraná. Confira entrevista exclusiva:

SN – Foram 13 anos para transformar-se num urologista pediátrico, o que o levou a escolher uma especialidade tão rara e diferenciada?
Alex – Sou filho de médico, indiretamente tive influências. Nunca fui forçado a fazer nada, mas o contato constante com a Master Clínica e a coincidência de ter afinidade com a urologia contribuiu muito para tal escolha. Quanto à uropediatria, sabemos que existem poucos profissionais nessa área, são poucas regiões brasileiras que dispõe desse especialista. As crianças de Cascavel, por exemplo, quando precisavam de um tratamento urológico mais complexo, eram encaminhadas para Curitiba. Essa lacuna, somada ao meu interesse pela especialidade me fizeram estudar alguns anos a mais em São Paulo. A medicina da região oeste paranaense é bem evoluída, mas realmente faltavam nefrologista e urologista infantil.

SN – Qual a área de atuação do uropediatra?
Alex – A uropediatria é uma especialidade cirúrgica que trata as malformações congênitas e adquiridas dos aparelhos urinário e genital em crianças e adolescentes de ambos os sexos. Embora seja a mesma área de atuação do nefrologista infantil, em geral, o nefropediatra cuida da parte clínica e o uropediatra da parte cirúrgica. Na verdade, são especialidades que se complementam e caminham juntas.

SN – Quais são as doenças urológicas que mais acometem as crianças?
Alex – Disparadamente, as doenças mais comuns são as malformações congênitas, a criança já nasce com a doença, o problema se inicia durante o desenvolvimento do feto. A mais comum destas é a fimose, que é a dificuldade ou até a impossibilidade de expor a glande (cabeça) do pênis, dificultando a sua higiene adequada e predispondo a infecções urinárias e balanopostites (infecção do pênis). Podemos citar também a hidronefrose antenatal (dilatação renal), estenose de junção uretero-piélica, megaureter primário, refluxo vesicoureteral, hipospádia, criptorquidia, hérnia inguinal, hidrocele, válvula de uretra posterior, doenças císticas dos rins, entre outras. Dentre as doenças adquiridas a mais comum é a litíase urinária que aumentou cinco vezes nos últimos 10 anos.

SN – Como os pais podem diferenciar uma cólica rotineira de uma cólica renal?
Alex – Na verdade, a mãe não saberá identificar. A cólica é o quadro clínico clássico de um cálculo renal, tanto nos adultos quanto nas crianças. A sugestão é considerar que toda cólica forte e persistente pode ser um cálculo renal. Além da dor, a criança também pode ter sangue na urina, a chamada hematúria. As mães precisam estar bem alertas a este sinal, pois existem muitos casos em que a cólica não se manifesta e o único sintoma é a urina com sangue.

SN – Qual equipamento está mais presente na realização de exames urológicos da infância?
Alex – Muitas doenças diagnosticamos clinicamente, somente pela avaliação clínica, uma malformação da genitália, por exemplo. Quando necessitamos de uma investigação mais aprofundada, a ferramenta importante são os exames de imagem. Um dos principais métodos diagnósticos na faixa etária pediátrica é a ultrassonografia, pois é um exame muito disponível e livre de radiação. Evitamos ao máximo o uso de exames radioativos em crianças (como, por exemplo, a tomografia computadorizada), pois não sabemos quais são os efeitos colaterais em longo prazo. Evitamos também exames que usam contraste endovenoso, pois oferecem certo risco à função renal e podem desencadear reações alérgicas graves nas crianças.

SN – Seus conhecimentos são amplos, principalmente na laparoscopia, nos fale sobre essa técnica?
Alex – No Paraná, a Master Clínica é sinônimo de credibilidade em laparoscopia. Durante a minha formação foquei muito nessa técnica cirúrgica, e me especializei em laparoscopia porque gosto dessa área. A laparoscopia pediátrica é uma técnica cirúrgica minimamente invasiva e possibilita a correção de várias malformações urológicas. Proporcionam pequenas incisões (orifícios) e propicia menos dor pós-operatória, menor período de internação hospitalar e recuperação pós-operatória rápida.

SN – O transplante renal pediátrico em Cascavel já é uma realidade?
Alex – O transplante renal pediátrico em Cascavel ainda é um projeto. Hoje temos o know-how médico cirúrgico para fazer a cirurgia, mas todos precisam estar qualificados: equipe nefrológica, equipe de enfermagem, instrumentadores e anestesiologistas. O procedimento é complexo, além de uma equipe integrada e capacitada também é preciso ter uma estrutura hospitalar adaptada para essa finalidade. Acreditamos que dentro de cinco anos Cascavel poderá ser uma referência em transplante renal infantil, assim como já é uma referência em transplante renal em adultos.

SN – Quais são os desafios dessa especialidade?
Alex – O uropediatra deve ter habilidade em se comunicar não só com a criança, mas também com os pais. Deve cativá-los, pois assim se estabelece um elo de confiança maior e, dessa forma, colhemos informações mais exatas sobre o quadro clínico da criança. Muitas vezes, os informantes são os pais e temos que saber interpretar os sintomas da criança que, em alguns casos, se misturam com as angústias dos pais. As cirurgias infantis também são desafiadoras e complexas, porque tudo é em miniatura exigindo atenção dobrada, técnica cirúrgica precisa e uso de materiais adequados, inclusive lupas microcirúrgicas.

SN – Como é sua rotina fora do consultório e hospitais?
Alex – A maior parte do tempo estou envolvido com o trabalho, aqui na Master Clínica e no Hospital São Lucas. Também estamos sempre de sobreaviso no transplante renal (adulto), os rins de doadores falecidos surgem a qualquer momento, não importa se é hora do jantar, de madrugada, temos q